quarta-feira, 3 de maio de 2017

     Eu já sei o que quero:
a suavidade na rotina da manhã
ver os primeiros raios do dia
acordar sem pressa
olhar o meu amor dormindo
e vê-lo despertar suavemente
quero sentir a brisa entrando pela cortina

     Eu já descobri o segredo:
até hoje vivi em ritmo rápido, intenso, afobado
agora estou pronta para pausar
quero absorver as primeiras coisas do meu dia
e quando eu acordar amanhã
vou prestar atenção nisso
no lento passear das nuvens
nos pássaros do parque
na cor do céu
no cheiro do ar
Vou sentir se está fresco ou calor
Vou abrir os meus olhos para a beleza

     Quero sentir com todo o meu corpo:
com os cheiros
com o olhar
ouvindo
quero sentir na minha pele
o beijo do meu amor
vou escrever com a ponta dos meus dedos
palavras doces nas costas dele
vou escrever poemas, hai kais,
enquanto ele dorme
e não vou acordá-lo ou invadi-lo
com a minha pressa, fúria, meus desejos ou confusões

     O que eu quero é bem simples:
pousar minha mão, suavemente, no seu corpo
observar o seu sono
devagar
até ele despertar
até o dia acordar

e colocar suavidade na rotina...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Minha vida "short cuts"


 RASCUNHO

Hoje parece um daqueles dias densos.
Mas não sei se é o clima, se eu mesma...
O ar está pesado, o dia nublado, minhas tarefas são pontuadas por cafés e pensamentos.
Eu crio - enquanto cozinho -  Multitarefas: tudo o que não quero mais ser, mas faço tão bem.
Os sons da casa. 
Os cheiros da casa. 
A casa.
Algo úmido. Algo cinzento. Algo raro na cidade.
Eu estou de frente para o parque, com o Mestre Álvaro ao lado.
Posso ver algumas árvores, o campo de futebol e uma pequena elevação gramada, mas tudo está vazio e consigo ouvir o silêncio. Também escuto Marisa Monte, várias vezes. Não enjoo.
Os cheiros. As panelas fumegando na cozinha ao lado. "Quem me dera", Marisa me fala... "não sentir mais medo algum".
Pronto: começou a chover! Adeus natação de hoje... e comecei tão cedo para poder sair...
Às vezes penso que escrevo essas bobeiras à toa, que não têm nada de mais...
Às vezes chego a pensar também que não têm nada de menos - essas bobeiras - e eu, pelo menos, escrevo, tento tirá-las de dentro de mim. É muita coisa, são muitos pensamentos, sentimentos. É o peso do tempo, o peso da vida que escolhi e que agora, gradativamente, está ficando leve. 
Tanto tempo depois. Leve. Leveza é o que buscava e não sabia.
Hoje: a densidade do ar, o branco do céu, a gravidade embutida no ar que se respira.
E por isso também que lembrei de Short Cuts, filme de 1993, traduzido para Cenas da Vida. Um mosaico, em que diversos personagens se cruzam. Nunca esqueci. Narrativas cruzadas de cenas tão corriqueiras de vidas comuns. A pobreza e a riqueza da vida.
Assim como a minha, comum. Quem me vê, não me vê. Não sabe nada sobre mim. Como estou "do outro lado" do qual me mostro.
E sigo.
E Marisa de novo me falando que "amar alguém só pode fazer bem". Será?
Enfim, voltando ao dia nublado, às lembranças nítidas de um tempo enevoado, à busca da leveza, à "insustentável leveza do ser", fechando para um plano super close de agora... chove, mas estou leve; chove, mas é bom; chove e me atrapalhou, mas me deu tempo de pensar e escrever.
O dia chove, mas estou leve, alegre, braços abertos rodopiando na chuva.... braços abertos correndo bem rápido... braços abertos, sentindo a água... braços abertos, absorvendo a vida...
Chove, e vivo.... chove, e abro espaço para o novo... chove, e existe prazer dentro de mim... chove...



sexta-feira, 17 de março de 2017

Início

É o outro lado do fim
É o lado bom da dor
É a coragem que te levanta
É o dia seguinte
É quando você enxuga os olhos pela última vez
É quando você levanta a cabeça
É um suspiro
É quando o seu coração, finalmente, aceita
É quando você diz:

Basta!

É quando o seu coração, finalmente, escuta
O que a sua cabeça te dizia o tempo todo
É quando você se despe e,

nua,

Sai ao encontro de você mesma
É a melhor parte da jornada
É ver ao longo do caminho
É olhar para a frente
É fazer planos
É se preparar para partir
É a fome com a vontade de comer
É a vontade de devorar a vida
É a força
É a garra
É a gana
É o fim do fim
É o fim da dor
É o início, de novo...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Atlântico

Recolhi âncoras  e
Estou pronta para a partida.
Vou ao encontro de grande aventura,
Vou ao encontro de mim.
Não sou uma desconhecida,
Mas vou desbravar cada momento.
Começo explorando a alegria de viver,
A vontade de fazer coisas novas,
O desejo de me jogar no mundo.
Digo adeus - de vez - aos amores ingratos
(aqueles não correspondidos)
E levanto bandeiras:

- quero sorrir mais
- quero me divertir mais
- quero dividir mais

                  Zarpo!

Por isso o mar...
Estou treinando
Por isso as braçadas,
cada vez mais longas
Travessias...
O mar...
Eu o atravesso e ele me invade
E assim vamos:
unidos, salgados, juntos
nesta nova chance.
A cada vez que deslizo
na água gelada e salgada deste oceano,
 eu me pacifico,
E assim começo a construir
todos os mares e amores dentro de mim,
gota a gota, onda a onda
Deslizando
Partindo e chegando e partindo e chegando,
Quantas vezes precisar
O mar, amar

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Para 2017

Tenho 48 anos, dois filhos, dois cachorros e muita vontade de  viver.  Alguns fracassos, alguns sucessos e bastante tempo pela frente,  o que me faz refletir  e escrever. O que quero pra mim? O que quero para as minhas relações? É  possível apenas deixar fluir?  A felicidade se busca e se constrói  ou apenas se recebe, quando somos merecedores? O que é  a vida e o que fazemos dela? Como me encontro agora? O que quero? O que busco? O que almejo? Estou feliz nessa busca? O que me falta?
Eu não tenho nenhuma resposta, mas tenho a certeza de que o tempo de reflexão  é  agora.
Fim de ano e dias de arrumações,  externas e internas, e limpezas.  Quero estar bem. Com espaços.  Aberta. Confiante. Eu estou bem. Estou feliz. Estou com  saúde  e vencedora. Hoje eu enxergo melhor. Hoje eu me sinto feliz. Posso, realmente, desejar um feliz ano novo!  Para os meus, para mim,  para os que me rodeiam e para os que quero atrair. Um feliz ano novo! Hoje já está ótimo! Quero arregaçar  as mangas! Tenho muito a fazer!
Vem, 2017!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Cinza-chumbo

O céu está cinza-chumbo e chove no Mestre Álvaro, posso ver.
A par disso, problemas para resolver e algumas dores no coração.
Mas não importa.
Em dias como o de hoje, em que o cheiro de maresia se espalha pelo ar, feito um perfume, nenhum peso é pesado!
Caminho pelo cinza-chumbo, atravessando meu olhar para dentro.
Quanto mais eu olho ao longe, mais dentro de mim me encontro.
E se alguém me vir na rua ou mesmo me chamar, verá que flutuo absorta em pensamentos íntimos, que me são caros.
Volto ao passado, projeto o futuro, planejo o presente.
Tudo ao mesmo tempo, com os três planos se intercalando.
Acho que por isso confundo o que está para acontecer com o que já aconteceu.
Vivo tudo duas ou três vezes e mesmo assim nunca sei ao certo.
O chumbo.
A chuva.
A maresia.
E a vida invadindo os sonhos.

Preciso controlar a respiração para ter calma.
Preciso ter calma para controlar a vida.

Preciso mesmo controlar a vida?






quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Se o meu amor soubesse...


Se o meu amor soubesse o quanto eu o quero, faria diferença?
Ah!, meu querido, se eu pudesse, curaria tuas feridas por interesse próprio.

Quero beijar teus olhos, para você me ver com amor,
Quero beijar teus lábios, para que tuas palavras sejam doces comigo,
Quero beijar tuas mãos, para que você caminhe ao meu lado,
Quero beijar o teu peito, para que o teu coração se acalme,
Quero beijar teus cabelos, para que teus pensamentos fluam em direção a mim.

Se eu pudesse, com um abraço te protegia todo.
Faria você dar três voltas com os olhos vendados e, tirada a venda, te diria:
Segue! Segue o teu caminho em direção a mim, te espero faz tempo.
Estou de braços abertos te esperando.
Segue! Segue firme!
Confia em você, pois eu confio em mim e eu confio em nós.

Ah!, meu amor, você não vê que minha mão está estendida, esperando a tua?
Que meus olhos querem pousar nos teus?
Que meus beijos são todos teus?
Que se eu pudesse, moraria no teu sorriso?
Ah!, meu amor, vai ser bom, embora eu não possa prometer que seja para sempre!
Confia!

Ah!, se o meu amor soubesse, faria diferença?